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O Cortiço de Aluísio de Azevedo

No Botafogo do século XIX, João Romão, é um português que deseja a riqueza mais que tudo na vida. Começa cedo no trabalho, economiza tudo o que pode e utiliza-se de várias artimanhas para alcançar seu objetivo: Se junta a uma negra escrava fugida que lhe serve como empregada e amante ao mesmo tempo. Através da avareza e pequenos furtos finalmente compra uma venda, constrói um cortiço e vira dono de uma enorme pedreira.

Um conflito é gerado, desde o início da trama quando Miranda, vizinho de João Romão tenta comprar um braço de terra e João Romão o nega. Numa rivalidade mútua João o inveja.

Com relato fiel do dia-a-dia dos moradores do cortiço vemos suas limitações, sentimentos e desenvolvimento. O naturalismo está explícito em toda a descrição narrativa como mostra o seguinte texto: “E aquilo se foi constituindo numa grande lavanderia, agitada e barulhenta, com as suas cercas de varas, as suas hortaliças verdejantes e os seus jardinzinhos de três e quatro palmos, que apareciam como manchas alegres por entre a negrura das limosas tinas transbordantes e o revérbero das claras barracas de algodão cru, armadas sobre os lustrosos bancos de lavar. E os gotejantes jiraus, cobertos de roupa molhada, cintilavam ao sol, que nem lagos de metal branco”. Quase se pode enxergar o ambiente e sentir o cheiro do mesmo, com a descrição muito bem detalhada pelo narrador. O barulho e agitação expõem um estado de tensão e bagunça que circundavam as tinas durante a semana.

Essa naturalidade, nua e crua feita diversas vezes pelo narrador e baseada na relação da arte com a ciência que acredita que o meio influencia o ser humano, fica clara quando Jerônimo um trabalhador exemplar, conhece o personagem Rita Baiana e por ela se encanta “Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição; para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros. E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão português: e Jerônimo abrasileirou-se”. Com a moral comprometida Jerônimo se entrega a luxúria e ao deleite da vida.

A personificação animal para ações humanas, chamada zoomorfização é uma interpretação bastante utilizada pelo autor: “Mas, lá no fim, debaixo dos bambus que marcavam o limite da pedreira, alguns trabalhadores dormiam à sombra, de papo para o ar, a barba espetando para o alto, o pescoço intumescido de cordoveias grossas como enxárcias de navio, a boca aberta, a respiração forte e tranqüila de animal sadio, num feliz e pletórico resfolgar de besta cansada.” Há uma metaforização constante das personagens: “Também cantou. E cada verso que vinha da sua boca de mulata era um arrulhar choroso de pomba no cio. E o Firmo, bêbedo de volúpia, enroscava-se todo ao violão; e o violão e ele gemiam com o mesmo gosto, grunhindo, ganindo, miando, com todas as vozes de bichos sensuais, num desespero de luxúria que penetrava até ao tutano com línguas finíssimas de cobra”. Reparem na mistura de sensualidade e instinto, próprios da selvageria animal.

Leia. A linguagem é fácil, a narrativa interessante e o desfecho surpreendente.

BIBLIOGRAFIA

AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: Paulus, 2004.

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Publicado às 15 de março de 2012 por em Sala e marcado , .

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